Oficina com Brandon LaBelle e Octavio Camargo – dias 10, 11 e 12/01/2017
Rua Atílio B´ório, 603, Alto da XV – Curitiba/PR

Agenciamento coletivo: Cia Iliadahomero de Teatro e Errantbodies Press
Apoiadores: Galeria Ybakatu, Mandato Vereador GouraOlhar Comum

A Oficina de Autonomia é colaborativa. Não será cobrada taxa de inscrição.

Participantes:
Alaise Medeiros Cavaleiro, Aline Sugi, Amábilis de Jesus, Andressa Medeiros, Brandon LaBelle, Chiris Gomes, Cleverson Oliveira, Constance Pinheiro, Elis Souza Rockenbach, Gilson Camargo, Helena Portela, Isadora Foreck, João Paes, Kali Ossani, Katia Horn, Livia Zafanelli, Luigi Dangelo, Marcio Mattana, Margit Leisner, Michele Schiocchet, Octavio Camargo, Paula Lemos Guimarães, Rodrigo Augusto Ribeiro, Rodrigo Janasievicz, Sauane Buenos, Tuca Nissel.

Proposta ao Prefeito III: Oficina de Autonomia
Brandon LaBelle / Octavio Camargo

Em função do recente cancelamento da Oficina de Música de Curitiba, após 34 anos de atividade, questões sobre cultura e política emergem, assim como a reflexão sobre formas de resistência nas quais os cidadãos possam atuar em projetos autônomos.

Nossa intenção é organizar uma Oficina de Autonomia para contrapor este cancelamento através de ações públicas, encontros coletivos e manifestações criativas com um espírito de festividade e de celebração crítica. Colocamos esta proposta como uma situação aberta e livre, sem um sentido rigoroso de autoria ou forma, através da qual desejamos demonstrar uma sensibilidade autônoma de imaginação para além das estruturas estabelecidas.

Como pode o conhecimento musical ser aplicado a questões de composição social? Há novos entendimentos da vida publica que possam ser encontrados na atividade de um grupo musical? Se a vida pública e as relações entre as pessoas são fortemente modeladas pela escuta, a educação musical é igualmente uma educação para afinarmos nossos ouvidos em direção aqueles que estão à nossa volta.

Em conjunção com a Oficina de Autonomia, uma exposição da documentação e objetos foi apresentada na Galeria Ybakatu (veja mais, aqui). Focada num esforço autônomo e na possibilidade de um ativismo da escuta. A exposição atua como um ponto de reflexão sobre assuntos relacionados às políticas culturais e busca capturar a projeção de significado na criação de um espaço livre para a escuta e o pensamento.

A Oficina de Autonomia focou em questões relacionadas a cultura autônoma e em como o som e a escuta podem agir como forma de resistência e de solidariedade comunitária. Em particular, o grupo se pôs a abordar a música como um vocabulário para se relacionar e interferir na dinâmica existente do poder.

Conceitos como “tonalidade de um lugar”, “sônica commons” e “liberdade da escuta” se expandiram como base criativa para nutrir o compartilhamento social. Isto resultou, após dois dias de discussões, numa ação pública de escuta coletiva em lugares específicos na cidade. Estes incluíram: Palácio do Governo, Prefeitura, Boca Maldita, Capela Santa Maria, e Atilio Borio, 603. Em todos estes locais nos concentramos como um grupo e ouvimos silenciosamente por 10 minutos. A ação de escutar criou uma interrupção no cotidiano destes lugares performatizada para contrapor o cancelamento da Oficina de Música através da mobilização do sentido auditivo como base para a liberdade cultural.

Site Specific Sonoro*

O som se movimenta no espaço cruzando fronteiras e passando entre pessoas e coisas. É um material invisível, algo que anima o ambiente para dar suporte ao contato e à conversação. O som nos toca, porém não se deixa absorver e aprisionar; ele escapa à linguagem. O som pode nos sobrepassar, através de sonoridades que nos irritam ou que nos excitam. Desta maneira o som é extremamente dinâmico, nos colocando entre um âmbito de experiências que são específicas a um tempo e um lugar.

A Oficina será focada no som como material artístico e ferramenta musical para trabalhar no local, na cidade e com outros. Isto levará ao tópico da arte sonora como um conjunto de práticas situadas entre a música e as belas artes. A arte sonora traz questões de instrumentação, composição e duração no diálogo com os  objetos encontrados (found objects), com as estratégias relacionais e com o espaço. A oficina investigará a arte sonora como uma abordagem criativa particular.

O que acontece se colocarmos o som e a escuta no centro de nosso pensamento crítico e criativo? O que acontece com o corpo quando ouvimos e que tipos de espaços se materializam quando os construímos no som? É possível imaginarmos uma cidade sônica, ou uma estrutura social formada por atos de escuta? A oficina irá explorar estas questões através do desenvolvimento de métodos para trabalhar com o som, incluindo práticas de gravação de campo, escuta ativa, intervenção urbana e participativa. Através desta abordagem, os participantes vão explorar a cidade de Curitiba, ouvindo os seus espaços e criando trabalhos que respondam as qualidades específicas ali encontradas.

Como diz Les Back em seu livro, A Arte da Escuta, a escuta é necessária mais do que nunca para criar espaços para os excluídos e marginalizados, para aqueles que nem sempre tem uma voz. Isto pode se estender para o reconhecimento de como a escuta é uma experiência diária que influencia a maneira como os amigos e os estranhos se encontram, os atos de hospitalidade assim como os de conflito. Que tipos de espaços sonoros podem ser encontrados ou criados para sustentar uma dinâmica na vida pública? Existe um ativismo sônico a ser desenvolvidos a partir dos sons que fazemos e compartilhamos?

*Ementa da oficina proposta por Brandon LaBelle para a 35º Oficina de Música de Curitiba, cancelada pela Prefeitura.

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Brandon Labelle é artista, escritor e teórico que trabalha com questões da vida social e agenciamento cultural, usando som, performance, texto e construções instaladas (sited). Desenvolve e apresenta projetos artísticos e performances no âmbito de contextos internacionais, frequentemente trabalhando em público, através de intervenções e instalações performativas, trabalho de arquivo e micro ações orientadas à esfera do incomum e do improvável. É também palestrante e trabalha com instituições pelo mundo formulando questões sobre a cultura da audição, artes espaciais e sônicas, práticas com mídias experimentais e com a voz. Seus projetos em curso estão focados na vocalização e coreografias da boca, materialidade sônica e conhecimento auditivo, estética e política da invisibilidade. Ele vive em Berlim e é professor da universidade de Bergen, Noruega. Fundador do coletivo e editora Errantbodies.

Prolífico autor de obras referenciais no campo da arte sonoras e site specific, dentre elas: Diário de um egípcio imaginário (2016) Léxico da Boca: poéticas e políticas da voz no imaginário oral (2014) Territórios Acústicos: A cultura do som e a Vida Cotidiana (2010). Fundo Sonoro (Background Noise-2006). Através de seu trabalho na Errant Bodies Press ele co-editou as antologias: Site de Som: da Arquitetura e do Ouvido, volumes 1 e 2 (1999-2011), Escrevendo Alto: Sônica da línguagem (2011), Tensão de Superficie: Problemáticas do Site (Surface Tension: Problematics of Site-2003) e Territórios do Rádio (2007).

Sua obra inclui trabalhos de áudio lançados por diversos selos. Produz regularmente trabalhos para rádio, como para a Kunstradio de Viena (1999, 2001, 2007, 2009) e Deutschland Radio (2009). Fez mestrado na Call Arts de Los Angeles, em 1998, e doutorado, PHD, na London Consortium, em 2005. Realizou pesquisa de pós doutorado na Universidade de Copenhagen, de 2006 a 2009, em Cultura Moderna e Estudos Sonoros. In 2008-09 trabalhou como professor convidado na Copenhagen Art Academy e na Free University, em Berlin, ministrou seminários sobre territórios acústicos, práticas de espaço e a voz masculina. Reside em Berlim. Ë professor na Bergen Academy of Art and Design, na Noruega.

Seu trabalho foi apresentado na South London Gallery (2016), Tel Aviv University Art Gallery (2015), Marrakech Biennial (parallel project), 2014, General Public, Berlin (2013), The Whitney Museum, NY (2012), Image Music Text, London (2011), Sonic Acts, Amsterdam (2010), A/V Festival, Newcastle (2008, 2010), Tramway, Glasgow (2010), Museums Quartier/Tonspur, Vienna (2009), 7a Bienal do Mercosul, Porto Allegro (2009), Center for Cultural Decontamination, Belgrade (2009), Casa Vecina, Mexico City (2008), Fear of the Known, Cape Town (2008), Netherlands Media Art Institute, Amsterdam (2003, 2007), Ybakatu Gallery, Curitiba, Brazil (2003, 2006, 2009), Singuhr Gallery, Berlin (2004), e ICC, Tokyo (2000).

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